Oferecer benefício pet para colaboradores significa a empresa ajudar a cuidar dos animais de estimação de quem trabalha nela: com orientação veterinária, plano de saúde pet, descontos ou tempo livre para emergências. É um benefício barato perto dos tradicionais, ainda raro no Brasil e muito valorizado por quem tem pet, que é quase metade da força de trabalho.
Neste guia você vai ver o que conta como benefício pet, por que ele entrou na pauta do RH, quais modelos existem, como estimar custos, o que diz a legislação hoje e um passo a passo para implantar na sua empresa.
Resumo rápido
- 46,1% dos lares brasileiros têm cachorro e 19,3% têm gato (IBGE).
- Só 3,3% das empresas oferecem auxílio pet hoje (MDS, 2025). Quem sai na frente se diferencia.
- Os modelos vão de telemedicina veterinária e app de cuidados até plano de saúde pet e licença para emergências.
- O PL 5.636/2023, que coloca o plano de saúde pet na CLT sem natureza salarial, avançou na Câmara em 2026, mas ainda não é lei.
- Implantar leva poucas semanas quando o benefício é digital.
O que é benefício pet para colaboradores
Benefício pet é qualquer apoio que a empresa oferece para o colaborador cuidar do animal de estimação dele. Ele reconhece uma realidade que o RH já vê no dia a dia: para muita gente, o pet é parte da família, e os problemas dele viram preocupação, falta e distração no trabalho.
Na prática, o benefício pet costuma combinar um ou mais destes itens:
- Telemedicina veterinária: consulta por vídeo ou chat com veterinário, em geral 24 horas por dia.
- Plano de saúde pet: cobertura ou reembolso de consultas, exames, vacinas e procedimentos.
- App de cuidados: carteira de vacinação digital, controle de peso e remédios, orientação de comportamento e adestramento.
- Descontos: clube de vantagens em pet shops, rações, banho e tosa.
- Políticas de tempo: folga para adoção ("licença pet") ou para emergências veterinárias.
- Ambiente pet friendly: dias com pets no escritório ou espaços adaptados.
Os quatro primeiros são benefícios que a empresa contrata de um fornecedor. Os dois últimos são políticas internas, que custam pouco e podem complementar o pacote.
Por que o benefício pet entrou na pauta do RH
Quase metade dos seus colaboradores tem pet
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (2019), 46,1% dos domicílios brasileiros têm pelo menos um cachorro e 19,3% têm pelo menos um gato. Isso faz do pet um dos poucos temas que conversa com uma fatia enorme do quadro de uma vez, em todas as faixas de idade e de renda.
E a relação mudou. Os pets passaram a ser tratados como membros da família. É o que pesquisadores e o próprio Judiciário chamam de família multiespécie. Quando o pet adoece, o tutor sente como se fosse alguém da casa.
O pet afeta o trabalho, para o bem e para o mal
Os dados mais completos sobre o impacto no trabalho ainda vêm dos Estados Unidos, onde o benefício pet é mais antigo. Uma pesquisa da Wagmo com 1.017 colaboradores tutores, feita em novembro de 2025, mostrou que:
- 75% dizem que a saúde do pet afeta diretamente seu nível de estresse no trabalho;
- quase 70% relatam menor produtividade quando o pet está doente ou machucado;
- tutores faltam, em média, 7,3 dias por ano por questões de saúde do pet.
Por outro lado, o pet também é fonte de bem-estar. No Brasil, uma pesquisa da Petz com o instituto IMO Insights (2024) apontou que 47% dos tutores veem o pet como aliado contra o estresse e 36% dizem que ele ajuda com ansiedade e depressão.
Ou seja: um colaborador com o pet bem cuidado tende a estar mais tranquilo. Um colaborador com o pet doente e sem orientação tende a faltar ou a trabalhar preocupado. O benefício pet atua justamente nessa diferença.
Saúde mental virou obrigação, não só boa prática
Desde 2026, a NR-1 exige que as empresas incluam os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso empurrou o RH a olhar para fatores de estresse que antes ficavam fora do radar.
O benefício pet não substitui um programa de saúde mental. Mas ele entra bem como uma ação concreta de bem-estar, fácil de comunicar e com alta adesão entre quem tem pet. Veja mais no nosso guia sobre NR-1 e riscos psicossociais.
Retenção e employer branding
O benefício também pesa na decisão de ficar ou sair da empresa. Na mesma pesquisa da Wagmo, 56% dos tutores disseram já ter considerado trocar de emprego por benefícios pet melhores. Entre os que têm um empregador que apoia as necessidades do pet, 90% afirmam que isso aumenta sua lealdade à empresa.
Em uma pesquisa anterior da Nationwide com a Morning Consult (EUA, 2021), o peso era ainda maior entre os mais jovens: 49% da Geração Z e 45% dos Millennials disseram que benefícios pet influenciariam sua decisão de permanecer no emprego.
São dados americanos e devem ser lidos assim. Mas o padrão conversa com o que o RH brasileiro observa: as gerações mais novas valorizam benefícios ligados a estilo de vida e bem-estar. Para aprofundar, veja benefício pet e retenção de talentos.
Ainda é raro, e por isso diferencia
A Pesquisa de Benefícios 2025 da MDS Brasil, com mais de 600 empresas que somam 1,35 milhão de colaboradores, mostrou que apenas 3,3% das empresas oferecem auxílio pet. Para comparar, 95,4% oferecem plano de saúde e 68,1% oferecem psicologia online.
Para o RH, isso significa uma oportunidade: um benefício que pouca empresa tem, que gera conversa interna e que aparece bem em vagas e redes sociais.
Tipos de benefício pet: qual faz sentido para a sua empresa
| Modelo | O que oferece | Custo para a empresa | Bom para |
|---|---|---|---|
| Telemedicina veterinária | Orientação 24h por vídeo ou chat | Baixo | Cobrir todos os tutores com um valor previsível |
| App de cuidados pet | Gestão de saúde, orientação, adestramento | Baixo | Engajamento no dia a dia |
| Plano de saúde pet | Consultas, exames e procedimentos (rede ou reembolso) | Médio a alto, se 100% subsidiado | Empresas que querem um benefício "de peso" |
| Seguro pet | Cobertura de acidentes e doenças graves | Médio | Proteção contra gastos altos inesperados |
| Clube de descontos | Preços menores em produtos e serviços | Muito baixo | Complemento de pacote |
| Licença ou folga pet | Dias para adoção ou emergência | Indireto (horas) | Cultura pet friendly |
Duas diferenças importantes na hora de escolher:
Rede credenciada ou reembolso. No modelo de rede, o colaborador só é atendido em clínicas conveniadas, o que pode ser um problema fora das capitais. No reembolso, ele escolhe o veterinário de confiança e recebe parte do valor de volta, dentro das regras do plano.
Tudo pago pela empresa ou coparticipado. Muitas empresas pagam a camada básica para todos (por exemplo, telemedicina e app) e deixam o plano de saúde pet como adesão opcional, com condição especial. Assim o benefício chega a todos os tutores sem pesar no orçamento.
Para entender as diferenças em detalhe, leia plano pet, seguro pet ou telemedicina veterinária: qual oferecer.
Quanto custa oferecer benefício pet
O custo depende do modelo e de quantos colaboradores são elegíveis. Como referência de raciocínio:
- Benefícios digitais (telemedicina, app, clube) costumam ser cobrados por usuário elegível, em um valor fixo e baixo, parecido com o modelo de plataformas de academia.
- Plano de saúde pet varia conforme cobertura, porte e espécie do animal. Pode ser pago pela empresa, dividido com o colaborador ou oferecido só como condição especial.
- Políticas de tempo não têm custo direto, mas precisam de regras claras.
Uma forma prática de estimar: multiplique o número de colaboradores pelo percentual provável de tutores (use a pesquisa interna, ou o dado do IBGE como ponto de partida) e pelo valor por usuário do fornecedor. Depois compare com o custo de outros benefícios de bem-estar que você já tem.
Veja um cálculo detalhado em quanto custa benefício pet por colaborador.
O que diz a legislação sobre benefício pet
Hoje não existe uma regra específica na CLT para benefício pet. Isso não impede a empresa de oferecer, mas exige cuidado com a forma.
O principal projeto sobre o tema é o PL 5.636/2023, do deputado Felipe Becari. Ele permite que empresas custeiem serviços veterinários para os animais domésticos dos empregados sem que o valor seja considerado salário nem entre na base da contribuição previdenciária. Em maio de 2026, o projeto foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça. Para virar lei, ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado.
Enquanto isso, a recomendação é envolver o jurídico e a contabilidade para definir como o benefício entra na folha e na política de benefícios. Explicamos os detalhes em benefício pet na CLT: o que muda com o PL 5.636/2023 e em benefício pet é salário?.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica ou contábil.
Como implementar benefício pet em 6 passos
1. Descubra quantos tutores você tem
Faça uma pesquisa interna curta: tem pet? Quantos? Qual espécie? Qual a maior dificuldade para cuidar dele? As respostas mostram o tamanho do público e o que ele mais valoriza.
2. Defina o objetivo
Retenção, bem-estar, atração de talentos ou employer branding? O objetivo define o modelo e os indicadores que você vai acompanhar.
3. Escolha o modelo e o fornecedor
Compare cobertura, abrangência geográfica, facilidade de uso, forma de cobrança e suporte. Prefira fornecedores com integração simples e sem necessidade de mudar sistemas internos.
4. Alinhe jurídico e financeiro
Confirme como o benefício entra na política de benefícios e na folha. Documente quem é elegível e as regras de uso.
5. Lance com uma boa comunicação
Benefício que ninguém conhece não gera resultado. Anuncie em canais internos, mostre como ativar e use histórias reais dos próprios colaboradores e seus pets.
6. Meça e ajuste
Acompanhe adesão, uso, satisfação e, ao longo do tempo, indicadores como absenteísmo e turnover entre tutores. Repita a pesquisa interna depois de seis meses.
O passo a passo completo, com modelos de pesquisa e comunicação, está em como implementar benefício pet na empresa.
Erros comuns ao oferecer benefício pet
- Lançar sem saber quem tem pet. Sem pesquisa, o RH escolhe o modelo errado ou superestima o público.
- Oferecer só o que fica nas capitais. Rede credenciada concentrada exclui quem está em outras cidades.
- Esquecer os gatos. Muitos benefícios são pensados para cães. Confirme se o fornecedor atende as duas espécies.
- Não comunicar. Benefício pet tem alto potencial de engajamento, mas só se as pessoas souberem que ele existe.
- Tratar como ação pontual. O valor está no apoio contínuo, não em um evento por ano.
Como a Budz apoia o RH
A Budz é um benefício corporativo pet 100% digital, contratado por usuário elegível. O colaborador ganha acesso a telemedicina veterinária 24h, ao Buddy IA para dúvidas sobre saúde e comportamento, à gestão de saúde do pet, a trilhas de adestramento para cães e gatos e ao Clube Budz. Além disso, pode aderir a três planos de saúde pet por reembolso em condições exclusivas. Hoje mais de 180 mil tutores usam a Budz, e o app tem nota 4,8 na App Store.
Conclusão
O benefício pet responde a algo que já acontece dentro da sua empresa: quase metade dos colaboradores tem um pet, e a saúde dele afeta a rotina, o humor e a presença no trabalho. Ainda é um benefício raro no Brasil, o que dá a quem sai na frente um diferencial claro em atração, retenção e bem-estar.
O primeiro passo é simples: descubra quantos tutores você tem e do que eles mais precisam. A partir daí, fica fácil escolher o modelo certo.
Fontes
- IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2019 (domicílios com cães e gatos).
- MDS Brasil, Pesquisa de Benefícios 2025: https://www.mdsgroup.com.br/pt/comunicados-de-imprensa/mds-brasil-lanca-pesquisa-de-beneficios-2025/
- Wagmo, Working Pet Parent Survey (EUA, nov/2025): https://www.businesswire.com/news/home/20251208105676/en/75-of-Working-Pet-Parents-Say-Pet-Health-Directly-Affects-Work-Stress-and-Productivity---Wagmo-Survey
- Nationwide e Morning Consult (EUA, dez/2021): https://news.nationwide.com/offering-pet-benefits-could-help-keep-employees/
- Petz e IMO Insights (2024): https://www.petz.com.br/blog/pets/importancia-dos-pets-na-saude-mental-dos-tutores/
- Congresso em Foco, aprovação do PL 5.636/2023 na CFT (14/05/2026): https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/118886/projeto-de-plano-de-saude-pet-para-funcionarios-avanca-na-camara
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Perguntas frequentes
O que é benefício pet?
É um apoio que a empresa oferece para o colaborador cuidar do animal de estimação, como telemedicina veterinária, plano de saúde pet, descontos em produtos ou folga para emergências. Ele reconhece o pet como parte da família e ajuda a reduzir preocupações que afetam o trabalho.
Benefício pet é obrigatório?
Não. Nenhuma lei obriga a empresa a oferecer benefício pet. Ele é um benefício voluntário, que pode entrar na política de benefícios ou em acordo coletivo. O PL 5.636/2023 regulamenta o tema, mas ainda está em tramitação no Congresso.
Benefício pet entra no salário?
Hoje não há regra específica, então a empresa deve definir o enquadramento com o jurídico e a contabilidade. O PL 5.636/2023 prevê que o custeio de serviços veterinários não seja considerado salário nem entre na base do INSS, mas ainda não é lei.
Quanto custa benefício pet por colaborador?
Depende do modelo. Benefícios digitais, como telemedicina e app, costumam ter valor baixo e fixo por usuário elegível. O plano de saúde pet varia com a cobertura e pode ser pago pela empresa, dividido com o colaborador ou oferecido como adesão opcional.
Qual a diferença entre plano pet e seguro pet?
O plano pet cobre a rotina de saúde, como consultas, vacinas e exames, por rede credenciada ou reembolso. O seguro pet foca em eventos inesperados, como acidentes e doenças graves. Muitas empresas combinam telemedicina com um dos dois.


