Uma colaboradora adota um cachorro no sábado. Na segunda, ela precisa estar no trabalho, e o pet passa o dia sozinho em uma casa que ainda não conhece. É para esse momento que algumas empresas criaram a licença pet.
Licença pet, ou "peternidade", é uma folga remunerada que a empresa concede a quem adota um animal de estimação, e às vezes também em caso de emergência ou morte do pet. Ela não está na CLT: é uma política interna e voluntária. Neste artigo, você vai ver o que a licença inclui, quais empresas já oferecem e como montar a sua.
Resumo rápido
- A licença pet costuma ter três formatos: adoção, emergência e luto.
- A CLT não prevê folga por motivo de pet. Quem oferece faz isso por política interna.
- Vivo, Ogilvy, Petlove, Mars e Bayer já deram folga a quem adotou um pet no Brasil.
- Uma boa política define elegibilidade, número de dias, comprovação e comunicação.
O que é licença pet (ou licença peternidade)
Licença pet é um período de ausência remunerada, de algumas horas a poucos dias, que a empresa oferece ao colaborador tutor. O formato mais conhecido é a licença adoção pet, para ajudar o animal a se adaptar à nova casa. Algumas empresas ampliam a ideia para emergências veterinárias e para o luto pela perda do pet.
O nome "peternidade" ganhou força no Brasil em 2021, quando a Petz lançou o movimento Licença PETernidade, criado com a Ogilvy Brasil, e convidou outras empresas a oferecer folga a quem adotasse cães ou gatos (Meio & Mensagem, 2021).
Os três formatos mais comuns
- Adoção: folga logo após a chegada do pet, para adaptação, primeira consulta e ajustes na rotina.
- Emergência: horas ou um dia para levar o pet ao veterinário em uma situação urgente.
- Luto: um ou mais dias após a morte do animal.
A licença pet está na CLT?
Não. O artigo 473 da CLT lista as situações em que o colaborador pode faltar sem desconto, como a morte de alguns parentes (a chamada licença nojo). Nenhuma delas envolve animais. Por isso, toda folga pet hoje é uma decisão da empresa.
Há projetos de lei sobre o tema na Câmara dos Deputados, mas nenhum virou lei até a data deste artigo:
- PL 221/2023: propõe um dia de falta justificada pela morte de cão ou gato, com comprovação por veterinário, até três vezes por ano (Forbes Brasil, 2023).
- PL 5.042/2025: propõe ausência pelo tempo necessário para acompanhar o pet em até dois atendimentos veterinários por mês, com atestado e registro do animal no SinPatinhas (texto do projeto).
Projetos podem mudar ou ser arquivados durante a tramitação. Antes de citar qualquer um deles em uma política interna, confira o andamento no site da Câmara.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica.
Quem já oferece licença pet
A lista abaixo traz só empresas com política divulgada em fonte pública. As regras podem ter mudado desde a publicação de cada matéria.
No Brasil
- Vivo: aderiu em maio de 2021 e concede dois dias livres a quem adota cão ou gato, com documento que comprove a adoção entregue ao RH (Itatiaia, 2023).
- Ogilvy: oferece dois dias de folga a quem adota um pet desde julho de 2021 (Itatiaia, 2023).
- Petlove: concede até dois dias livres e remunerados para receber o novo pet (Forbes Brasil, 2022).
- Mars: aderiu em 2022 com até oito horas de afastamento após a adoção, que podem ser divididas em até dois dias nos três meses seguintes, mediante comprovante (Forbes Brasil, 2022).
- Bayer: em 2017, deu o dia seguinte de folga a quem adotou um animal em uma feira de adoção na sede de São Paulo, com o fim de semana somando três dias (Mercado & Consumo, 2017). Foi uma ação pontual, não uma política permanente.
No exterior
- BrewDog (Reino Unido): desde 2017, uma semana de folga para quem recebe um filhote ou um cão adulto (The Next Web, 2022).
- Mars (Reino Unido): dez horas remuneradas para ajudar um novo pet a se adaptar (Employee Benefits, 2026).
- mParticle (EUA): duas semanas remuneradas para quem adota um animal de abrigo (The Next Web, 2022).
- Rover (EUA): três dias de licença remunerada por luto quando o pet morre (GOBankingRates, 2022).
No Brasil, a licença foca a adoção. Lá fora, aparecem prazos maiores e o luto.
Por que a licença pet interessa ao RH
Para quem cuida de employer branding (a imagem da empresa como lugar para trabalhar), a licença pet tem duas vantagens. Custa pouco, porque envolve poucos dias e poucas pessoas por ano. E gera conversa, porque é rara e fácil de entender.
No Brasil, só 3,3% das empresas oferecem auxílio pet, segundo a Pesquisa de Benefícios 2025 da MDS Brasil. Benefícios ligados ao pet ainda são um diferencial pouco explorado.
Há também um argumento de bem-estar. Nos EUA, 75% dos tutores que trabalham dizem que a saúde do pet afeta diretamente seu nível de estresse no trabalho, e eles faltam em média 7,3 dias por ano por questões de saúde do animal (Wagmo, 2025). Uma regra clara para emergências e luto tira a culpa e a improvisação desses momentos.
Como montar uma política de licença pet
1. Defina quem tem direito
Decida se vale para todos os vínculos ou só para CLT, e se existe tempo mínimo de casa. Diga quais espécies entram e se vale só para adoção ou também para compra. A escolha comunica um valor da empresa.
2. Escolha os formatos e os dias
Comece simples. Um ponto de partida comum no mercado brasileiro:
| Formato | Referência de mercado | Observação |
|---|---|---|
| Adoção | Oito horas a dois dias | Permitir dividir em períodos ajuda na adaptação |
| Emergência | Algumas horas por ocorrência | Defina um limite por ano |
| Luto | Um dia | Fora do Brasil há casos de três dias |
3. Combine a comprovação
Para adoção, um termo da ONG ou do abrigo. Para emergência, um atestado ou comprovante de atendimento veterinário. Para luto, uma declaração do veterinário. Peça só o necessário e trate esses documentos com o mesmo cuidado de qualquer dado pessoal.
4. Formalize e comunique
Escreva a política em uma página e valide com o jurídico como a folga será registrada no ponto. Depois, divulgue na intranet, na integração e nas vagas.
Se a empresa quer ir além da folga, o próximo passo é um benefício pet contínuo. O passo a passo está em como implementar benefício pet.
Erros comuns
- Prometer sem formalizar: anunciar a licença em post antes de ter regra escrita gera pedidos que o RH não sabe responder.
- Exigir documentos demais: burocracia em um momento de luto passa a mensagem oposta.
- Tratar como benefício único: a folga ajuda em momentos pontuais. O cuidado com o pet acontece o ano todo.
Onde a Budz entra
A licença pet resolve o dia da chegada. A Budz ajuda nos outros dias. É um benefício 100% digital, contratado por usuário elegível, com telemedicina veterinária 24h, Buddy IA, gestão de saúde do pet, trilhas de adestramento e clube de descontos. O colaborador ainda pode aderir a planos de saúde pet por reembolso em condições exclusivas. Mais de 180 mil tutores já usam a Budz.
Conclusão
A licença pet é um benefício simples, barato e fácil de comunicar. Ela não está na CLT, então cabe a cada empresa decidir se oferece e como. Vivo, Ogilvy, Petlove e Mars mostram que dá para começar com um a dois dias para adoção e regras claras de comprovação.
Um bom próximo passo: escreva uma minuta de uma página com os três formatos e leve ao jurídico. Para ver como a licença se encaixa em uma estratégia mais ampla, leia o guia de benefício pet para colaboradores e a lista dos benefícios mais valorizados.
Fontes
- Meio & Mensagem, "Petz propõe licença para quem adotar animais", 21/05/2021: https://www.meioemensagem.com.br/marketing/petz-propoe-licenca-para-quem-adotar-animais
- Itatiaia, "Em São Paulo, empresas aderem à licença PETernidade", 23/04/2023: https://www.itatiaia.com.br/brasil/em-sao-paulo-empresas-aderem-a-licenca-peternidade-entenda/
- Forbes Brasil, "Empresas aderem à licença pet", 07/10/2022: https://forbes.com.br/carreira/2022/10/empresas-aderem-a-licenca-pet/
- Mercado & Consumo, "Bayer lança licença PETernidade em parceria com a Petz", 28/09/2017: https://mercadoeconsumo.com.br/28/09/2017/noticias/bayer-lanca-licenca-peternidade-em-parceria-com-a-petz/
- Forbes Brasil, "Projeto de lei permite licença para pais de pet em caso de morte" (PL 221/2023), 13/02/2023: https://forbes.com.br/carreira/2023/02/projeto-de-lei-permite-licenca-para-pais-de-pet-em-caso-de-morte/
- PL 5.042/2025, texto do projeto (Dep. Dayany Bittencourt), 08/10/2025: https://static.congressoemfoco.com.br/attachment/2025/10/08/a963c5_PL_5042_2025.pdf
- The Next Web, "Pawternity leave is real: 4 companies offer it", 05/07/2022: https://thenextweb.com/news/pawternity-leave-real-4-companies-offer-it
- Employee Benefits (UK), "Mars champions pet-friendly policies to improve employee wellbeing", 07/05/2026: https://employeebenefits.co.uk/total-reward/mars-champions-pet-friendly-policies-to-improve-employee-wellbeing/282152.article
- GOBankingRates, "Companies with pawternity leave", 28/01/2022: https://www.gobankingrates.com/money/jobs/companies-with-pawternity-leave/
- MDS Brasil, Pesquisa de Benefícios 2025: https://www.mdsgroup.com.br/pt/comunicados-de-imprensa/mds-brasil-lanca-pesquisa-de-beneficios-2025/
- Wagmo, pesquisa com 1.017 colaboradores (EUA), dez/2025, via Business Wire: https://www.businesswire.com/news/home/20251208105676/en/75-of-Working-Pet-Parents-Say-Pet-Health-Directly-Affects-Work-Stress-and-Productivity---Wagmo-Survey
- CLT, Decreto-Lei 5.452/1943, art. 473: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm
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Perguntas frequentes
A licença pet é obrigatória por lei?
Não. A CLT não prevê folga por adoção, emergência ou morte de animal de estimação. Há projetos de lei sobre o tema na Câmara, como o PL 221/2023 e o PL 5.042/2025, mas nenhum foi aprovado até outubro de 2026. Quem oferece a licença faz isso por política interna e voluntária.
Quantos dias tem a licença peternidade?
Depende da empresa. No Brasil, os exemplos públicos vão de oito horas, como na Mars, a dois dias, como na Vivo, Ogilvy e Petlove. Fora do país há casos de uma semana, como na BrewDog, e de duas semanas para adoção em abrigo, como na mParticle.
A folga pet vale para luto?
Pode valer, se a política da empresa incluir esse caso. A Rover, nos EUA, oferece três dias remunerados quando o pet morre. No Brasil, o luto pet não está na lei, mas a empresa pode prever um dia de folga com declaração do veterinário.
Como comprovar a adoção para a licença adoção pet?
O mais comum é apresentar ao RH o termo de adoção emitido pela ONG, abrigo ou protetor. A política deve dizer qual documento vale e o prazo para entregá-lo.



