Seu time quer escolher os próprios benefícios, mas a empresa ainda oferece o mesmo pacote para todo mundo? É um cenário comum. Benefícios flexíveis são o modelo em que a empresa define um valor e o colaborador distribui esse valor entre categorias, como alimentação, mobilidade, saúde e cultura, conforme a própria rotina.
Aqui você vai ver como o modelo funciona, o que a lei diz, prós e contras, um roteiro de implantação e duas formas de incluir o pet.
Resumo rápido
- No benefício flex, a empresa define o valor e as regras, e o colaborador escolhe como usar dentro das categorias permitidas.
- Ainda é minoria: 11,7% das empresas têm políticas flexíveis (MDS, 2025), mas 84% dos profissionais querem escolher seus benefícios (Robert Half, 2025).
- Alimentação tem regras próprias. O saldo de alimentação só pode ser usado com comida.
- O pet pode entrar como categoria do cartão ou como um benefício fixo à parte.
O que são benefícios flexíveis
Benefícios flexíveis são um formato de pacote em que parte do orçamento de benefícios vira um saldo que o colaborador distribui entre categorias definidas pela empresa. Em vez de todos receberem os mesmos itens, cada pessoa monta o pacote que faz sentido para a sua vida. Quem trabalha de casa pode usar menos mobilidade e mais alimentação, por exemplo.
Em geral, o modelo convive com benefícios fixos, como o plano de saúde.
Por que o tema está na pauta do RH
Existe uma diferença grande entre o que as pessoas querem e o que as empresas oferecem. Na pesquisa de benefícios da Robert Half (2025), com 1.400 profissionais qualificados, 84% querem escolher seus incentivos, mas só 21% têm essa possibilidade. Em 2024, eram 15%.
Do lado das empresas, a Pesquisa de Benefícios 2025 da MDS Brasil, com mais de 600 empresas, mostra que apenas 11,7% têm políticas flexíveis. Entre essas, 60,6% usam cartões que permitem ao colaborador montar o próprio pacote. Já a Pesquisa de Benefícios 2025 da Aon, com 1.077 empresas que atuam no Brasil, aponta que 15% planejam oferecer programas com flexibilidade de benefícios.
A demanda é alta e a oferta ainda é pequena. Veja outros dados sobre preferências no artigo benefícios mais valorizados pelos colaboradores.
Como funciona o cartão de benefícios flexível
O formato mais comum é o cartão de benefícios flexível, também chamado de cartão multibenefícios. Ele vem com um aplicativo em que o colaborador vê o saldo de cada categoria e, quando a política permite, remaneja valores entre elas.
Carteiras por categoria
O saldo fica dividido em carteiras. As mais comuns são:
- alimentação e refeição;
- mobilidade;
- saúde e bem-estar;
- educação e cultura;
- home office.
Cada carteira só aceita compras em estabelecimentos daquela categoria. É assim que o sistema separa o que foi gasto com comida do que foi gasto com transporte, por exemplo.
Regras definidas pela empresa
O RH decide o valor total, quais categorias entram, se há valor mínimo em alguma delas e se o colaborador pode mover saldo entre carteiras. Tudo isso deve estar em uma política escrita, com critérios iguais para o mesmo grupo de elegíveis.
A recarga costuma ser mensal, e o RH acompanha adesão e uso por categoria no painel do fornecedor.
O que a lei diz: pontos de atenção
Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica ou contábil.
Alimentação tem uso restrito. A Lei 14.442/2022 determina que valores pagos como auxílio-alimentação sejam usados só para refeições em restaurantes e similares ou para compra de alimentos. O uso fora disso pode gerar multa para a empresa e para o emissor do cartão. Na prática, o saldo de alimentação de um cartão flexível não pode ir para outras categorias.
O PAT ficou mais rígido. O Decreto 12.712/2025 alterou as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador. Ele vedou vantagens não ligadas à alimentação, limitou taxas cobradas dos estabelecimentos, encurtou o prazo de repasse e previu a interoperabilidade entre bandeiras. Parte dessas regras é questionada na Justiça por empresas do setor. Para empresas inscritas no PAT, vale revisar o contrato com o fornecedor e acompanhar o tema com o jurídico.
Natureza salarial depende da categoria. A CLT (art. 458, § 2º) lista utilidades sem natureza salarial, como assistência médica, educação e transporte. O auxílio-alimentação não integra a remuneração quando não é pago em dinheiro (art. 457, § 2º). Categorias fora dessas listas, ou saldos de uso livre, podem ser tratados como salário e entrar na base de INSS e FGTS. O enquadramento de cada carteira deve ser validado com a contabilidade.
Convenção coletiva vem antes. Se a convenção da categoria exige vale-refeição com valor mínimo, esse valor precisa ser respeitado dentro ou fora do cartão.
Prós e contras dos benefícios flexíveis
Vantagens:
- cada pessoa usa conforme a própria necessidade, e menos saldo fica parado;
- a gestão fica centralizada em um fornecedor e um painel;
- o RH ganha dados de uso para decidir o que manter.
Desvantagens:
- regras de alimentação e de natureza salarial exigem cuidado;
- liberdade demais pode diluir o objetivo do benefício;
- parte do time pode ter dificuldade com o aplicativo;
- benefícios que dependem de contrato próprio, como plano de saúde, não cabem no saldo.
Como implementar o benefício flex na sua empresa
1. Mapeie o que já existe
Liste os benefícios atuais, o que é exigido pela convenção coletiva e o que é espontâneo. Só o espontâneo pode mudar de formato com liberdade.
2. Ouça o time
Pergunte o que as pessoas usam e do que sentem falta. Inclua filhos, trabalho remoto e pets.
3. Desenhe a política
Defina categorias, valores, regras de remanejamento e elegibilidade. Valide o desenho com o jurídico e a contabilidade antes de contratar.
4. Compare fornecedores, comunique e acompanhe
Avalie rede de aceitação, aplicativo, painel e aderência às regras do PAT. No lançamento, explique cada carteira com exemplos. Depois, acompanhe o uso e revise a política uma vez por ano.
Para uma visão do pacote completo, veja o guia de benefícios corporativos.
Onde o pet entra nos benefícios flexíveis
Só 3,3% das empresas oferecem auxílio pet, segundo a MDS (2025). Para quem quer incluir esse cuidado, há dois caminhos.
Pet como categoria do cartão
Alguns cartões permitem uma carteira para pet shop e clínica veterinária, ou o uso de saldo livre nesses lugares. É simples, mas o valor tende a ser pequeno e disputa espaço com outras categorias. E, como a lei não afasta de forma expressa a natureza salarial do benefício pet, o enquadramento precisa de análise. Falamos disso em mais detalhe no artigo sobre benefício pet e salário.
Pet como benefício fixo e digital
O outro caminho é oferecer um benefício pet à parte, igual para todos os elegíveis, com serviços em vez de saldo. O tutor ganha cuidado de verdade sem precisar escolher entre o pet e o almoço. Para entender o desenho desse modelo, veja o guia de benefício pet para colaboradores e o passo a passo de como implementar benefício pet.
A Budz segue esse segundo caminho. É um benefício pet 100% digital, contratado por usuário elegível, que dá acesso a telemedicina veterinária 24h, ao assistente Buddy IA, à gestão de saúde do pet, a trilhas de adestramento e a um clube de descontos, além de planos de saúde pet opcionais por reembolso em condições exclusivas. Mais de 180 mil tutores já usam o app. Conheça em Budz para empresas.
Conclusão
Benefícios flexíveis respondem a um desejo claro do colaborador: escolher. O modelo funciona melhor com uma política bem escrita, que respeita as regras de alimentação e tem cada categoria validada. O pet pode entrar como carteira do cartão ou como benefício fixo à parte.
O próximo passo é prático: mapeie o pacote atual, pergunte ao time o que falta e leve um desenho simples para o jurídico e o financeiro.
Fontes
- Robert Half, Pesquisa de Benefícios 2025 (1.400 profissionais qualificados, 25 anos ou mais, com ensino superior): https://www.roberthalf.com/br/pt/sobre-robert-half/imprensa/pacote-beneficios-setembro2025
- MDS Brasil, Pesquisa de Benefícios 2025 (600+ empresas, 1,35 milhão de colaboradores): https://www.mdsgroup.com.br/pt/comunicados-de-imprensa/mds-brasil-lanca-pesquisa-de-beneficios-2025/
- Aon, Pesquisa de Benefícios 2025 (1.077 empresas no Brasil): https://www.aon.com/latam/pesquisa-de-beneficios
- Lei 14.442/2022 (auxílio-alimentação): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14442.htm
- Decreto 12.712/2025 (PAT), de 11/11/2025: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/D12712.htm
- CLT, Decreto-Lei 5.452/1943 (arts. 457 e 458): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm
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Perguntas frequentes
O que são benefícios flexíveis?
São um modelo em que a empresa define um valor e o colaborador distribui esse valor entre categorias, como alimentação, mobilidade, saúde e cultura. Cada pessoa usa conforme sua rotina. Segundo a MDS (2025), 11,7% das empresas no Brasil têm políticas flexíveis, e a maioria delas usa cartões.
Posso usar o saldo do vale-alimentação para outras coisas no cartão flexível?
Não. Pela Lei 14.442/2022, o auxílio-alimentação só pode ser usado para refeições ou compra de alimentos. O uso fora disso pode gerar multa para a empresa e para o emissor. As demais categorias do cartão seguem regras próprias, definidas pela política da empresa.
Benefício flexível tem natureza salarial?
Depende da categoria. Alimentação fora de dinheiro, saúde, educação e transporte têm previsão na CLT para não integrar o salário. Saldos de uso livre ou categorias fora dessas listas podem ser tratados como remuneração. O enquadramento deve ser validado com o jurídico e a contabilidade.
Dá para incluir benefício pet no cartão flexível?
Em alguns cartões, sim, como categoria ou via saldo livre. Mas o valor tende a ser pequeno e há risco de natureza salarial. Outra opção é oferecer o pet como benefício fixo e digital, com serviços como telemedicina veterinária, separado do saldo flexível.



