Uma pesquisa de benefícios com colaboradores é o jeito mais direto de descobrir o que o seu time valoriza, o que não usa e o que falta. Para funcionar, ela precisa de um objetivo claro, perguntas curtas, anonimato e, principalmente, uma devolutiva. Sem retorno, a próxima pesquisa recebe menos respostas.
A seguir: por que ouvir antes de mudar o pacote, um passo a passo em seis etapas, exemplos de perguntas e os erros que derrubam a adesão.
Resumo rápido
- 76% dos profissionais querem mudanças no pacote de benefícios, e 84% querem escolher os próprios benefícios (Robert Half, 2025).
- 77% dizem que os benefícios atendem às suas necessidades, mas só 51% acham que a empresa se importa com sua saúde e bem-estar (Mercer Marsh Benefícios, 2025).
- Pergunte sobre a vida fora do trabalho: filhos, pais, deslocamento e pets.
- Devolva o resultado ao time e diga o que vai mudar.
O que é uma pesquisa de benefícios com colaboradores
É um questionário, normalmente online e anônimo, que mede como as pessoas usam e avaliam os benefícios atuais e o que gostariam de ter. Ela serve para apoiar decisões concretas: trocar um fornecedor, incluir um benefício novo, migrar para um modelo flexível ou ajustar a comunicação do pacote.
Por que ouvir o time antes de mudar o pacote
Benefício é um dos maiores custos de pessoas, e errar na escolha sai caro. Os dados mostram que existe espaço para ajuste.
Segundo a Pesquisa de Benefícios 2025 da Robert Half, com 1.400 profissionais qualificados, 57% estão satisfeitos com os benefícios que recebem. Mas 76% querem mudanças no pacote. E 84% gostariam de escolher os próprios benefícios, enquanto só 21% têm essa opção.
O Health on Demand 2025, da Mercer Marsh Benefícios, com 1.023 colaboradores no Brasil, mostra outra lacuna. Para 77%, os benefícios atendem às suas necessidades. Ainda assim, só 51% concordam que o empregador se importa com sua saúde e bem-estar, contra 62% na média global. Ou seja: oferecer não basta. A pessoa precisa perceber o cuidado.
Do lado das empresas, a Pesquisa de Benefícios 2025 da MDS Brasil, com mais de 600 empresas, mostrou que só 11,7% têm políticas de benefícios flexíveis. E o Engaja S/A 2025, da Flash com a FGV EAESP, apontou os benefícios flexíveis como a 3ª prática que mais engaja os brasileiros. Uma pesquisa interna ajuda a decidir se esse caminho faz sentido para você. O tema está no nosso guia de benefícios flexíveis.
Como fazer uma pesquisa de benefícios com colaboradores
1. Defina o objetivo e a decisão que ela vai apoiar
Antes de escrever a primeira pergunta, responda: o que vamos decidir com esses dados? Renovar contratos, incluir um benefício, cortar algo pouco usado? Um objetivo claro deixa o questionário curto e evita perguntas que ninguém vai analisar.
2. Monte um questionário curto
Mire em 10 a 15 minutos de resposta. Organize em blocos:
- Perfil: área, faixa etária, região e modelo de trabalho, sem pedir nome.
- Uso e satisfação: para cada benefício atual, "você usa?" e uma nota de 1 a 5.
- Prioridades: "escolha os três benefícios mais importantes para você".
- Vida fora do trabalho: filhos, pais que dependem de você, deslocamento, pets.
- Pergunta aberta: "que benefício faria diferença na sua vida hoje?".
3. Inclua perguntas sobre a rotina de cuidado
É aqui que surgem as necessidades que o RH não enxerga. Quem cuida de filhos pequenos, de pais idosos ou de animais tem demandas diferentes.
Uma sugestão simples para o bloco de pets:
- Você tem pet em casa? Quais espécies e quantos?
- O cuidado com o pet pesa na sua rotina ou no seu orçamento? (nota de 1 a 5)
- Um benefício de saúde ou bem-estar pet seria útil para você?
Vale perguntar porque o público tende a ser grande. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (2019), 46,1% dos domicílios brasileiros têm pelo menos um cachorro e 19,3% têm pelo menos um gato. E o benefício ainda é raro: só 3,3% das empresas oferecem auxílio pet (MDS Brasil, 2025). Se a resposta indicar demanda, veja como implementar benefício pet.
4. Garanta anonimato e cuide dos dados
As pessoas só respondem com sinceridade se confiarem no sigilo. Use uma ferramenta que não registre nome nem e-mail, e não mostre resultados de grupos muito pequenos, para ninguém ser identificado.
Colete só o necessário e diga para que os dados servem. É o que pede a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), com os princípios de finalidade e necessidade.
5. Divulgue e facilite a resposta
Explique o porquê da pesquisa e quanto tempo ela leva. Garanta que funcione bem no celular, para alcançar quem não fica no computador. Deixe aberta por cerca de duas semanas e peça apoio das lideranças para lembrar o time.
6. Analise por grupos e devolva o resultado
Média geral esconde diferenças. Cruze as respostas por faixa etária, área, região e perfil familiar. Compare com os dados de uso que você já tem dos fornecedores.
Depois, devolva o resultado ao time em até um mês. Mostre o que apareceu, o que vai mudar, o que não vai mudar e por quê. Esse retorno é o que garante boas taxas de resposta nas próximas rodadas.
Exemplos de perguntas para a pesquisa de benefícios
| Objetivo | Pergunta |
|---|---|
| Uso | Nos últimos seis meses, quais destes benefícios você usou? |
| Satisfação | De 1 a 5, quanto este benefício atende às suas necessidades? |
| Prioridade | Se pudesse escolher só três benefícios, quais seriam? |
| Lacuna | Que necessidade sua hoje não é atendida por nenhum benefício? |
| Rotina | Você cuida de alguém (filhos, pais, pets) fora do trabalho? |
| Comunicação | Você sabe como ativar e usar todos os seus benefícios? |
Para comparar suas respostas com o que o mercado valoriza, leia os benefícios mais valorizados.
Erros comuns na pesquisa de benefícios
- Perguntar o que não pode entregar. Criar expectativa e não agir gera frustração.
- Questionário longo demais. A taxa de resposta cai e a qualidade também.
- Ignorar quem não responde. Times operacionais costumam responder menos. Busque canais para alcançá-los.
- Não devolver o resultado. É o erro que mais derruba a confiança na próxima rodada.
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Conclusão
A pesquisa de benefícios com colaboradores troca o achismo por dados. Com objetivo claro, questionário curto, anonimato e devolutiva, o RH descobre o que o time valoriza e onde o pacote deixa lacunas. Perguntar sobre a vida fora do trabalho, inclusive sobre pets, ajuda a encontrar necessidades que não aparecem na planilha de custos.
Defina a decisão que a pesquisa vai apoiar e comece pelo rascunho das perguntas.
Fontes
- Robert Half, Pesquisa de Benefícios 2025 (1.400 profissionais qualificados, 25 anos ou mais, com ensino superior): https://www.roberthalf.com/br/pt/sobre-robert-half/imprensa/pacote-beneficios-setembro2025
- Mercer Marsh Benefícios, Health on Demand 2025 (1.023 colaboradores no Brasil, coleta de outubro a novembro de 2024; publicado em 17/06/2025): https://www.marsh.com/pt-br/about/media/well-being-falls-demands-innovative-benefits.html
- MDS Brasil, Pesquisa de Benefícios 2025 (600+ empresas, 1,35 milhão de colaboradores): https://www.mdsgroup.com.br/pt/comunicados-de-imprensa/mds-brasil-lanca-pesquisa-de-beneficios-2025/
- Flash e FGV EAESP, Engaja S/A, 3ª edição (5.397 profissionais, coleta de junho a agosto de 2025; publicado em 28/10/2025): https://flashapp.com.br/blog/lancamento-engaja-sa-2025
- IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2019 (apresentação de resultados, domicílios com cães e gatos): https://anda.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/a09d971b8c3d3aebfe7e686cc221bc3d.pdf
- Lei 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm
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Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo fazer uma pesquisa de benefícios?
Uma vez por ano costuma ser suficiente para a pesquisa completa, de preferência alguns meses antes da renovação dos contratos. Entre uma rodada e outra, perguntas rápidas de pulso ajudam a medir a satisfação com um benefício novo. Pesquisas frequentes demais, sem mudanças visíveis entre elas, cansam o time e derrubam a taxa de resposta.
A pesquisa de benefícios precisa ser anônima?
É o mais recomendado. Sem anonimato, as pessoas tendem a dar respostas "seguras" e esconder insatisfações. Use uma ferramenta que não registre nome nem e-mail e não mostre resultados de grupos muito pequenos. Colete só os dados de perfil necessários para a análise e informe para que eles serão usados, como pede a LGPD.
Quantas perguntas deve ter um questionário de benefícios?
Mire em 10 a 15 minutos de resposta, o que costuma dar entre 15 e 25 perguntas, a maioria fechada. Inclua uma ou duas perguntas abertas para captar ideias que você não previu. Se o questionário ficar maior, corte as perguntas que não ajudam a tomar a decisão definida no objetivo da pesquisa.
Vale perguntar sobre pets na pesquisa de benefícios?
Vale. A pergunta é simples e revela uma necessidade que muitas vezes o RH não enxerga. Segundo o IBGE (2019), 46,1% dos domicílios brasileiros têm pelo menos um cachorro. Pergunte se a pessoa tem pet, quais espécies e quanto o cuidado pesa na rotina. Com isso, você sabe se um benefício pet faz sentido para o seu time.
O que fazer com os resultados da pesquisa?
Analise por grupos, como idade, área e perfil familiar, e cruze com os dados de uso dos fornecedores. Depois, apresente ao time em até um mês: o que apareceu, o que vai mudar e o que não vai, com o motivo. Transforme as prioridades em um plano com prazos e acompanhe o efeito na próxima rodada.



